O silicone é um dos elastômeros mais estáveis e versáteis que existem. Resiste a temperaturas extremas, mantém a elasticidade por anos e suporta condições químicas que degradam outros materiais. Mas por trás de uma junta técnica, tubo ou perfil extrudado há uma engenharia muito mais complexa do que parece.
Fabricar silicone não é "misturar uma borracha e dar-lhe forma". É controlar uma cadeia completa de variáveis: formulação, mistura, calandragem, extrusão ou moldagem, vulcanização, resfriamento, corte, emenda e validação final. Um desvio mínimo em qualquer ponto altera a dureza, a tolerância, o envelhecimento térmico ou até a vida útil do produto.
E quando existe uma empresa matriz certificada em ISO 9001 e ISO 13485 por trás, esse nível de controle afeta toda a fábrica, não apenas o setor médico. A qualidade deixa de ser um requisito e passa a ser uma obrigação estrutural.
A seguir explicamos, com rigor técnico, como é realmente fabricada uma peça de silicone industrial.
1. Formulação do composto: onde tudo começa
O silicone não chega pronto para extrudar. Antes, formula-se um composto adaptado à aplicação.
Existem duas famílias principais:
Silicone sólido HCR / HTV
Massa firme que se mistura em rolos ou amassadeiras. Ideal para extrusão, compressão e transferência.
Silicone líquido LSR
Sistema bicomponente de baixa viscosidade que se injeta em moldes fechados e reticula por platina. É referência em aplicações médicas, eletrônicas e de precisão.
A estrutura química — cadeia silício-oxigênio — proporciona inércia química, estabilidade térmica e elasticidade a temperaturas elevadas. Mas um composto industrial não é apenas polímero: inclui sílica pirogênica, catalisadores, pigmentos, agentes de vulcanização (peróxido ou platina), aditivos térmicos, cargas funcionais e modificadores de comportamento.
2. Mistura e calandragem: a homogeneidade antes da forma
No HCR, o composto passa por rolos de calandragem. É um dos processos mais críticos, embora raramente explicado publicamente.
Aqui se controla:
- Plasticidade
- Temperatura de amassamento
- Eliminação de microbolhas
- Dispersão da sílica
- Preparação para extrusão ou moldagem
3. Extrusão: dar forma com precisão milimétrica
A extrusão funciona assim:
- O material é alimentado na extrusora
- Um parafuso sem-fim o comprime
- Atravessa uma matriz (die)
- Entra em um túnel de cura
- Resfria, estabiliza e é cortado
Mas o que realmente faz a diferença é o controle de fenômenos físicos como:
Inchamento na saída (Die swell)
Expansão do material ao sair da matriz (5–20% conforme dureza e formulação).
Retração (Shrinkage)
Contração durante a cura.
Deformação (Warping)
Torção por mistura irregular ou desequilíbrios térmicos.
A estabilidade dimensional depende de pressão, temperatura, geometria da matriz, composição, velocidade de linha e tempo de cura. Qualquer variação faz com que o perfil não atenda à ISO 3302-1.
4. Moldagem: geometrias impossíveis de extrudar
Quando a peça não é um perfil contínuo, recorre-se a:
- Injeção LSR
- Compressão
- Transferência
A injeção LSR segue sempre o mesmo ciclo:
- Mistura controlada A+B
- Injeção em molde fechado
- Reticulação por platina
- Resfriamento e desmoldagem
5. Vulcanização: o momento em que o silicone se torna silicone
O silicone sem vulcanizar não é um elastômero estável.
Existem dois mecanismos de cura:
Peróxido
Tipicamente 140–180°C, pode requerer pós-cura.
Platina
Limpo, estável e sem subprodutos; dominante em LSR e aplicações críticas.
6. Corte, emenda e acabamentos: transformar um perfil em uma junta funcional
Uma junta raramente sai em uma única peça. É cortada, emendada e vulcanizada em forma de moldura.
Processos habituais:
- Corte sob medida
- União a quente
- Emendas vulcanizadas em molde
- Adesivos alimentícios ou técnicos
- Lubrificação especializada
- Controle visual de defeitos
Em juntas infláveis ou aplicações ferroviárias, a montagem exige processos específicos, tolerâncias e validações geométricas.
7. O sistema de qualidade: quando a fábrica condiciona o produto
Aqui é onde a diferença entre um fabricante real e um distribuidor se torna abismal.
ISO 9001 – Gestão de qualidade industrial
Controle documental, calibração, processos padronizados.
ISO 13485 – Fabricação sob padrões médicos
Rastreabilidade completa, controle ambiental, validação de processos.
Sala limpa ISO 8
Controle particulado e microbiológico contínuo.
EN 45545-2
Requisitos rigorosos de comportamento ao fogo: oxigênio, fumaça e toxicidade.
Ensaios normativos
- ISO 3302-1 (tolerâncias dimensionais)
- ISO 48 (dureza)
- ISO 37 (tração)
- ISO 815 (compressão residual)
- ISO 1817 (resistência química)
O resultado: cada lote é controlado, registrado e validado com rastreabilidade equivalente aos setores de saúde.
Conclusão
A fabricação de silicone industrial é uma disciplina onde convergem química, processos, física de materiais e normas de alto nível. Cada junta, tubo ou perfil técnico é o resultado de uma cadeia de decisões controladas que determinam seu desempenho final.
Quando existe uma fábrica matriz certificada em ISO 9001, ISO 13485, com processos em sala limpa ISO 8 e formulações capazes de cumprir a EN 45545-2, o padrão de fabricação deixa de ser "industrial" e passa a ser "crítico".
É isso que permite que um simples perfil ou junta funcione com precisão durante anos em equipamentos médicos, trens, máquinas industriais ou sistemas de vedação avançados.
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