A maioria das juntas e perfis industriais de silicone especifica-se entre 40 e 70 Shore A. Três fatores fixam o valor exato: a compressão disponível no projeto, a temperatura de serviço e a secção do perfil. O tato não serve como critério. Dois compostos com a mesma dureza nominal podem responder de forma distinta na mesma aplicação, porque a dureza reflete em simultâneo o módulo elástico, a densidade de reticulação e a carga do composto. As durezas disponíveis para cada geometria constam na ficha de perfis de silicone à medida.
| Dureza | Comportamento | Aplicação habitual |
|---|---|---|
| 10–20 Shore A | Adapta-se a superfícies irregulares, recuperação lenta | Contacto ligeiro, amortecimento, tampas sem aperto |
| 30–40 Shore A | Veda com pouca força de fecho | Fechos, câmaras térmicas, fecho manual |
| 40–50 Shore A | Padrão de vedação industrial estática | Flanges, armários, fornos, equipamentos gerais |
| 50–60 Shore A | Equilíbrio entre adaptação e recuperação | Juntas dinâmicas, portas de maquinaria, ciclos repetidos |
| 60–70 Shore A | Mantém a secção sob carga | Grandes secções, esterilizadores, vapor |
| 70–90 Shore A | Deformação mínima, função estrutural | Apoios, batentes, guias, peças de suporte |
Os três fatores que movem o valor
- Compressão disponível → o objetivo de projeto é 20–30 % em junta estática
- Temperatura de serviço → o ensaio faz-se a 23 °C; a quente as durezas baixas perdem força de vedação e a frio o material endurece durante a montagem
- Geometria → uma parede espessa de 40 Shore A pode responder como um perfil fino de 55 Shore A
Como se escreve a especificação
Uma dureza sem norma nem tolerância não é uma especificação fechada. O ensaio realiza-se segundo a ISO 7619-1 e a tolerância industrial é de ±5 Shore A por lote: dois fornecimentos conformes de 60 Shore A podem ser entregues a 56 e a 64 sem que nenhum esteja fora. Quando a aplicação não admite essa margem, indica-se na encomenda e aperta-se o intervalo. A dureza verifica-se lote a lote com amostragem AQL 1.5.
Os limites reais de fabrico
A gama operativa na extrusão de silicone compacto vai de 10 a 90 Shore A. Abaixo de 15 a secção perde estabilidade dimensional à saída da fieira e a tolerância degrada-se; acima de 85 comprometem-se a velocidade de extrusão e o acabamento. Os valores de 10 Shore A fornecem-se sob consulta. Fora dessa faixa a via não é a extrusão, mas a moldação por compressão ou a injeção.
O que o ensaio mede realmente
O durómetro apoia um penetrador normalizado sobre o provete com uma força fixa e mede quanto afunda. A escala vai de 0 a 100 e é inversa à penetração: quanto menos entra o penetrador, maior é o número. A leitura toma-se sobre uma espessura mínima de 6 mm — empilhando lâminas se a peça for fina — porque abaixo dessa espessura a bancada de ensaio influencia o resultado e a medida deixa de ser comparável.
O instante de leitura também altera o número. O silicone continua a ceder sob o penetrador durante os primeiros segundos, pelo que uma leitura instantânea e outra aos 15 segundos sobre a mesma peça podem diferir em 2 ou 3 pontos. Quando dois laboratórios discutem um resultado, a discordância costuma estar aqui e não no material.
Quando a escala Shore A deixa de servir
A escala Shore A cobre bem a banda elastomérica, mas perde resolução nos extremos. Acima de 90 as leituras comprimem-se e o material caracteriza-se em Shore D; abaixo de 10 recorre-se ao Shore 00, a escala de espumas e géis. Não existe conversão exata entre escalas porque cada uma usa um penetrador e uma força distintos: as tabelas de equivalência são orientativas e não servem como critério de aceitação. Se um desenho chega com uma dureza em Shore D para uma peça de silicone mole, o correto é pedir o valor na escala em que vai ser ensaiada.
A dureza não prevê a deformação permanente
Uma junta falha quando deixa de recuperar, não quando se deforma. Essa perda de recuperação mede-se como deformação permanente por compressão e depende do sistema de catalisação e da formulação, não da dureza: dois compostos de 60 Shore A, um catalisado com peróxido e outro com platina, dão resultados muito distintos após 22 horas a 175 °C. Em vedação permanente e em ciclos térmicos longos, esse dado pesa mais do que o número de dureza e convém pedi-lo na ficha do composto.
Durezas habituais por família de produto
| Família | Banda habitual | O que condiciona a escolha |
|---|---|---|
| Perfis extrudidos | 40–70 Shore A | Compressão de projeto e espessura de parede |
| Lâminas e chapas | 40–70 Shore A | Corte posterior e planeza |
| Juntas e cordões | 50–70 Shore A | Força de fecho e recuperação após ciclos |
| Tubos | 50–70 Shore A | Resistência ao colapso e ajuste ao adaptador |
| Peças moldadas | 30–80 Shore A | Geometria da cavidade e desmoldagem |
Cada família tem a sua própria margem de fabrico: a banda completa consta na ficha de perfis, lâminas de silicone, juntas, cordões e tubos.
A dureza não define o comportamento de um perfil; sua geometria sim.
— Departamento de Engenharia – ProSilicones64
Erros frequentes
- Escolher a dureza pelo tato sobre uma amostra
- Especificar composto mole em aplicações dinâmicas de ciclo elevado sem verificar a recuperação elástica
- Subir a dureza para ganhar resistência sem confirmar que a junta continua a vedar
- Omitir a deformação permanente (compression set) no caderno de encargos
- Dar por equivalentes dois compostos por partilharem dureza nominal
Especificação de dureza para o seu projeto
A equipa técnica confronta o desenho, a compressão disponível e as condições de serviço, e fixa uma dureza fabricável e estável lote a lote.
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